28 de jan. de 2017

DEUS SE ARREPENDE?


Pergunta: “Há alguns dias o tema da pregação no culto foi o Dilúvio. No fim, nosso pastor perguntou à igreja o que poderíamos concluir das palavras de Gênesis 8.21:“Sentiu o Senhor... em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem;... nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer”.Uma passagem paralela seria Gênesis 6.7, em que Deus diz que se arrependeu de ter feito o homem. Diante da pergunta do pastor, um importante ancião da igreja levantou-se e respondeu que também Deus cometia erros! Seu tom era indiferente, como se fosse tranqüilizador o fato de Deus ser tão “humano” e parecido conosco nesse ponto. Tenho certeza de que ele falava sério, como se Deus realmente tivesse sido forçado a reconhecer que cometera uma bobagem e agira de forma precipitada e em ira descontrolada. Para mim essa afirmação é totalmente inaceitável, não posso conviver com isso! Como poderíamos confiar em um Deus que comete erros?! Onde mais Ele teria cometido erros, ou onde os cometerá? Talvez também haja erros na Escritura Sagrada, mas onde? Talvez o Gólgota tenha sido um erro? Não seria possível confiar em mais nada, a fé e a igreja não teriam mais sentido. Como vocês entendem a expressão “arrependeu-se o Senhor”,sendo que em Números 23.19 (também em 1 Samuel 15.29) está escrito: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa”?”
Resposta: O trecho que diz que Deus se arrependeu está em Gênesis 6.5-6: “Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração”.
A palavra hebraica para “arrepender-se” não pode ser entendida como arrependimento ou reconhecimento de erro da parte de Deus. Isso fica claro em Números 23.19: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?”.
A palavra “naham” (arrepender) tem o significado básico de “ter compaixão” ou “lamentar”. Por isso, o estudioso judeu Martin Buber traduziu o versículo desta forma: “Lamentou-se ele de ter feito o homem sobre a terra, e angustiou-se em seu coração”. O sentido geral é que Deus sofre junto conosco quando precisa nos castigar. O Todo-Poderoso não gosta de punir, isto o angustia, Ele o lamenta, mas precisa agir assim por causa de Sua santidade e justiça. Por isso, o arrependimento de Deus deve ser entendido como misericórdia, como indicação da impossibilidade de suportar a situação pecaminosa gerada pelo homem, que exige a retirada do Seu favor.
Portanto, o texto não expressa que Deus esteja descrevendo sua ação como um erro, pois Ele continua tendo razão em tudo o que faz (Jr 12.1). Na verdade, Ele lamenta que o homem se feche ao propósito do Seu amor. É dessa forma que esse “arrependimento de Deus” nos permite ver o que passa em seu coração. (Norbert Lieth)

ISRAEL, O SUPERSINAL DO FINAL DOS TEMPOS


Quando um repórter de um jornal secular liga e pede razões pelas quais “estudiosos da Bíblia chamam Israel de supersinal do final dos tempos” – você sabe que devemos estar chegando bem perto do prometido retorno de nosso Senhor. Felizmente, eu havia acabado de ler o livro Prophecies for the Era of Muslim Terror [Profecias para a Era do Terror Muçulmano], do rabino Menachem Kohen, no qual ele apresenta uma visão da qual eu nunca havia ouvido falar. Não sendo um cristão evangélico, ele dá as respostas exclusivamente a partir do Antigo Testamento, usando o cumprimento moderno das profecias antigas, as quais, de acordo com Isaías 46.9-11, são a prova inequívoca de que Deus existe. Já dissemos em outras oportunidades que mais da metade das mais de mil profecias do Antigo Testamento já foram cumpridas – independentemente do que dizem os evangelistas do ateísmo. Apenas Deus pode predizer o futuro e fazer com que ele venha a acontecer realmente.
O chamado para o retorno de Israel para a Terra Santa, o lugar exato para onde Deus prometeu trazê-lo nos últimos dias, tem acontecido durante nosso tempo de vida. Ninguém nega que os judeus, depois de estarem espalhados por quase todos os países do mundo, agora formam uma população de quase quinze milhões de pessoas no mundo – o que, em si, já é um milagre. Nenhum outro grupo étnico foi capaz de sobreviver tendo sido arrancado de sua terra natal e permanecido fora dela por mais de trezentos anos ou, no máximo, quinhentos anos, exceto os judeus. Eles foram banidos pelo governo romano depois do levante de Bar Kokhba (cerca de 132-135 anos d.C.), quando tornou-se legal que qualquer um que capturasse um judeu naquela Terra Prometida o matasse imediatamente. É, de fato, um milagre em nossos dias que, depois de 1.700 anos, existam ainda judeus que sobraram para voltar a Israel! Mesmo depois que o nazista louco da Alemanha, possesso de demônio, exterminou 6 milhões de judeus, ainda há uma estimativa de 15 milhões de judeus vivos. Além disso, estima-se que pelo menos um terço deles esteja nos Estados Unidos, outro terço ainda se encontra na Europa ou espalhado em outros 200 países pelo mundo, e o outro terço já migrou para sua Terra Prometida, principalmente durante os últimos 150 anos. Isto é, em si, um milagre inacreditável, mas não é tudo.

É, de fato, um milagre em nossos dias que, depois de 1.700 anos, existam ainda judeus que sobraram para voltar a Israel!
O fato de que tantos ainda existam é apenas parte do milagre! De acordo com o rabino Kohen, isto é apenas parte do milagre sobrenatural. Pois ele aponta que, em proporção direta da migração dos judeus de volta para sua terra, a própria terra tem sido transformada de uma área desértica sem proveito em uma terra que “mana leite e mel”. Na verdade, ela agora é chamada “o cesto de pão” da Europa. Muitos se referem a ela como “Palestina”, um nome que lhe foi dado pelos romanos para insultar os judeus, e que vem da terra dos filisteus, que eram tão imorais e pagãos que tiveram que ser removidos da “Terra Santa”, o que aquele território realmente será um dia. Eu prefiro chamá-la Terra Santa agora!
Como evidência da terra desolada que ela foi durante 18 séculos, o rabino Kohen citou a seguinte descrição, feita pelo famoso escritor americano Mark Twain, durante sua visita à Terra Santa nos anos 1860.
O solo é suficientemente rico, mas é totalmente tomado pelas ervas daninhas. Existe uma desolação aqui que nem mesmo a imaginação pode agraciar com a pompa de vida e ação. (...) Nunca vimos um ser humano em todo o nosso roteiro. Fomos adiante em direção a Jerusalém. Quanto mais prosseguíamos, mais quente ficava o sol e mais rochosa e nua, repulsiva e deprimente, ficava a paisagem. (...) Quase não havia árvores ou arbustos por ali. Mesmo a oliveira e o cacto, aqueles amigos de um solo sem valor, tinham praticamente desertado do país. (...) Jerusalém é sem vida. Eu não desejaria morar lá. É uma terra sem esperança, sombria e desconsolada. (...) A Palestina está assentada sobre saco e cinza. Sobre ela avulta o feitiço de uma maldição que tem feito definhar seus campos e limitado suas energias. (...) A Palestina é desolada e sem encantos. Poderia a maldição da Deidade embelezar uma terra? A Palestina não é mais deste mundo de labuta diária.[1]
A seguir, o rabino Kohen atrai nossa atenção para um fato pouco conhecido que destaca a miraculosa falta de chuva na “Terra Prometida” por causa do julgamento de Deus sobre os judeus devido à sua continuada rebelião contra Ele.
Sabemos que em algumas áreas do mundo a fome ocorre ocasionalmente por causa da escassez das chuvas. Infelizmente, isto acontece, mas na maior parte das vezes, essas ocasiões de fome duram pouco tempo porque os países do mundo são providos de quantidade suficiente de água para manter a vida. Esta condição tem sido verdadeira para todos os países, exceto um. Israel é essa exceção. Este é um país que já foi incrivelmente fértil e que subseqüentemente foi privado das chuvas pela maior parte de 1.800 anos – começando no ano 70 d.C. e continuando até o início do século XX, por quase todos esses 660.000 dias. Virtualmente não houve nenhuma chuva e nenhum alimento durante 1.800 anos – este é um fenômeno totalmente inexplicável e totalmente incrível. Não ter precipitação de chuvas adequadamente por quase dois milênios está além do âmbito das probabilidades estatísticas em qualquer região do mundo – mas em especial onde antes as chuvas haviam produzido uma fertilidade tal que aquela terra era repetidamente descrita como “a terra que mana leite e mel”. Em tempos passados, essa terra fértil ostentava florestas e copiosas colheitas. Até os animais eram semelhantemente afetados. A terra era simplesmente bela em todos os aspectos. Que uma terra assim fértil fosse subitamente privada de água e depois que uma terra assim fértil fosse transformada em um deserto – evoluindo da fertilidade à esterilidade tão rapidamente e tão dramaticamente, parece ilógico. Além disso, esta transformação incomum para uma terra desolada persistiu durante 660.000 dias, algo totalmente sem paralelos nos anais da história mundial.[2]

Uma terra vazia foi transformada na “terra que mana leite e mel”, como acontecia no Antigo Testamento.
Embora a dispersão dos judeus tenha ocorrido por causa de sua rebelião contra Deus ao se recusarem a obedecer ao primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim (Êx 20.3), ela também serviu para livrar a terra, para os judeus, de muitos futuros invasores. Até mesmo muitos dos islâmicos árabes militantes, que, após o século VII surgiram por meio do pagão Maomé, acharam que a terra era inóspita demais para construírem civilizações duradouras naquele lugar.
O que eu acho fascinante neste fato histórico dos 660.000 dias sem chuva, visto que apenas Deus pode enviar e retê-la, é que ela foi retida da Terra Santa por 1808 anos! Mark Twain deve ter chegado para ver o estado lamentável do país justo antes que começasse a chover. Aquele foi praticamente o momento em que os judeus começaram a retornar para sua terra. E, de acordo com meu amigo Joe Farrah, que é proprietário do site jornalístico WorldNetDaily, não apenas começou a chover na metade dos anos 1.800, mas Israel tem continuado a ser uma terra próspera até o dia de hoje. Uma terra vazia foi transformada na “terra que mana leite e mel”, como acontecia no Antigo Testamento. Além do mais, tem sido descoberto gás suficiente ali para fazer Israel não apenas auto-suficiente em combustível, mas também um exportador desse produto para o qual há tanta demanda, que chega a inflamar o ódio dos árabes contra os judeus. E não seria surpresa ver Israel descobrir petróleo. Posso imaginar o que isso faria para aquecer a situação do Oriente Médio.
Israel é “o supersinal” do “final dos tempos” e este é apenas um dos vários sinais. Estamos chegando muito perto do ressoar dos céus (1Ts 4.13-18), que chamará os seguidores do Senhor de volta para casa! (Tim LaHaye - Pre-Trib Perspectives - http://www.beth-shalom.com.br)

O MISTÉRIO DE SIMÃO DE SAMARIA


Alguns autores sempre parecem rápidos em atrair leitores com a promessa de revelar a verdade por trás de determinados “mistérios” da Bíblia. A última vez que procurei, na Amazon.com, por livros com as palavras mistério e Bíblia nos títulos, encontrei nada menos que 1.959 títulos. Muitos, eu presumo, são simplesmente especulações desenfreadas daqueles que carecem de fé na infalibilidade e na inspiração divina das Escrituras.
Após essa introdução, entretanto, deixe-me dizer que existe realmente um verdadeiro mistério em Atos 8. Enquanto o evangelista Filipe pregava o Evangelho por toda a Samaria, ele encontrou um homem chamado Simão, que praticava suas obscuras artes mágicas. Esse mágico impressionava a muitos e, assim, garantiu uma ampla audiência. Quando Filipe anunciou a Jesus Cristo, os seguidores de Simão o deixaram, creram no Salvador e passaram a ser batizados. Lucas, o autor de Atos, observa: “O próprio Simão abraçou a fé; e, tendo sido batizado, acompanhava a Filipe de perto, observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados” (At 8.13).
Porém, a história não termina assim. Depois de observar a poderosa e sobrenatural habilidade dos apóstolos de conceder o Espírito Santo aos crentes em Samaria, através da imposição das mãos, Simão começou a cobiçar o mesmo poder (At 8.18-19).[1] Quando tentou comprá-lo do apóstolo Pedro, recebeu uma das mais severas repreensões encontradas no Novo Testamento (At 8.20-23). A descrição bíblica termina com Simão implorando a Pedro para rogar ao Senhor em seu nome, esperando escapar das conseqüências da condenação que Pedro lançou sobre ele (At 8.24).
Então, eis o mistério: esse antigo mágico creu em Cristo verdadeiramente? O que aconteceu com ele depois do versículo 24?
A resposta a essas perguntas é mais do que um mero detalhe na Bíblia. É a chave para entender o perigo da heresia e da falsa espiritualidade que afligem a cultura popular do século 21, e que tem contagiado a “erudição” bíblica ultraliberal corrente.

A ascensão e a queda de Simão, o Mago

A História registra que o mesmo Simão retornou anos depois como “Simão, o Mago”, um líder de culto herético que apareceu durante o desenvolvimento da igreja primitiva e fundou uma seita pseudo-cristã rival. Os primeiros pais da igreja que escreveram em defesa do verdadeiro Evangelho depois da morte dos apóstolos, dos quais alguns foram até martirizados por isso, relataram extensivamente sobre Simão, o Mago.

Ruína bizantina em Pafos, na costa de Chipre, onde o apóstolo Paulo cegou o mago Elimas (At 13.4-12), depois do confronto de Pedro com Simão, o Mago.
Irineu atribuiu a ascensão do gnosticismo herético a Simão, o qual descreveu como um propagador do falso conhecimento (o gnosticismo enfatiza a obtenção esotérica do “conhecimento secreto” de Deus. Justino Mártir condenou os ensinos de Simão. Hipólito relatou que Simão criara uma vasta filosofia gnóstica e que tentara imitar a ressurreição de Cristo, sendo sepultado vivo, com a promessa de ressuscitar três dias depois. Entretanto, as coisas finalmente acabaram mal para ele quando o “milagre” fracassou.[2]
Os pais da igreja primitiva citaram amplamente os escritos das religiões antigas e heréticas, repletos de menções a Simão, o Mago. O livro apócrifo A Grande Revelação, do século 2, supostamente escrito por Simão (embora mais provavelmente por seus discípulos); o apócrifo Atos de Pedro, do século 3; e a literatura Pseudo-Clementina. A Grande Revelação fala abertamente sobre a posição de Simão como um pretenso redentor; os outros livros mostram Simão como oponente de Pedro, lutando com ele até a morte em Roma. Contam que Pedro supostamente frustrou a tentativa de Simão de flutuar no ar, fazendo com que ele caísse por terra.[3]
O gnosticismo é uma seita herética que desapareceu lentamente, mas a significância de Simão como progenitor da falsa espiritualidade continuou por quase dois milênios, através de representações na arte e na cultura. Michelangelo desenhou um esboço da batalha mítica entre Simão e Pedro; o artista Avanzino Nucci, no século 17, pintou uma cena representando a disputa de Pedro com Simão; e numerosos outros artistas usaram Simão, o Mago, como tema. Simão até aparece em altos-relevos de catedrais. A Divina Comédia de Dante menciona Simão no Canto XIX, na parte interior do inferno:
Ó Simão, o Mago, e todos aqueles que te seguiram, profanando e vendendo as coisas de Deus pelo preço de ouro e prata! Em vossa homenagem devo soar a trombeta, pois é aqui, nesta terceira vala, onde estais!”.

A ascensão do ceticismo

Então, com a aproximação do século 20, algo aconteceu. Simão, o Mago, que fora visto por quase dois mil anos como um modelo de heresia, obteve um tipo de salvo-conduto histórico. Típico da história das igrejas liberais que começam a duvidar da sua influência concreta é o texto:
Teorias (dos pais da igreja primitiva) sobre as origens e fontes do gnosticismo (que eles gostavam de remontar ao passado, por uma sucessão de mestres até Simão, o Mago, representado na narrativa de Atos 8.9-24), foram, na maioria, produzidas para servir às necessidades da sua polêmica... seu entendimento e seu tratamento das idéias gnósticas podem ser parciais e não-simpáticas mesmo quando seus relatos são fiéis”.[4]
Note que os motivos dos pais da igreja primitiva são considerados suspeitos, não a precisão de seus escritos sobre Simão, o Mago. Muitos teólogos e historiadores da igreja citados acima (do Union Theological Seminary, um baluarte do pensamento religioso liberal) também admitiram relutantemente: “As fontes que esses escritores usaram [muitas vezes] são dignas de confiança e o relato deles é preciso”.[5]
Outra razão para o declínio da posição de Simão como herético ocorre pelo fato de que o próprio conceito de heresia caiu de moda. Heresia (falsa doutrina) implica que haja uma doutrina verdadeira. Porém, os estudiosos liberais tentam reduzir o credo doutrinário e o fundamento da fé à irrelevância total.
O auto-declarado liberal John Shelby Spong afirmou abertamente que os cristãos precisam enfrentar “uma devastadora compreensão – a saber, que o credo doutrinário elementar da fé cristã foi criado para atender uma condição humana que simplesmente não é verdadeira”.[6] Robert Funk, fundador do ultraliberal Jesus Seminar, escreveu que a ascensão dos “heréticos” realmente começou apenas quando bispos discordantes recusaram apoio à “ortodoxia” oficial, no Concílio de Nicéia, em 325.[7] Por alguma razão, Funk, que admite que o Credo dos Apóstolos pode ser até da época do século 2[8], não vê a ironia nessa datação: o Credo – que antecede o Concílio de Nicéia de Constantino em mais de 100 anos – foi criado para sistematizar as crenças fundamentais da igreja primitiva e para distingui-las das heresias. Essas heresias ameaçavam distorcer a verdade histórica sobre Jesus e a mensagem verdadeira do Evangelho.
A última distorção de Funk (deveríamos chamá-la de “heresia” histórica) foi refletida no romance de Dan Brown, famosamente impreciso e popular: O Código Da Vinci. Um dos personagens do livro proclama: “A igreja primitiva literalmente roubou Jesus dos Seus seguidores originais, monopolizou Sua mensagem humana, envolveu-o em um manto de divindade e usou isso para expandir seu próprio poder”. E, além disso: “Constantino encomendou e financiou uma nova Bíblia, que omitiu esses evangelhos [gnósticos] que falam dos traços humanos de Jesus e embelezou aqueles evangelhos que o fazem divino”.[9]
Não é de admirar que o pensamento popular dos séculos 20 e 21 esqueceu a moral por trás da história de Simão, o mago de Samaria. Quando a possibilidade da verdade teológica objetiva é colocada em dúvida e a história é reescrita com tendenciosidade antibíblica, a idéia da verdade doutrinária torna-se arcaica – uma curiosidade antiquada.

O ressurgimento do Mago

Ao mesmo tempo em que os estudiosos liberais estavam tentando fazer Simão, o Mago parecer irrelevante, um novo fenômeno crescia, celebrando abertamente sua influência herética. Em 1875, Helena Blavatsky lançou um novo movimento, chamado “teosofia”. Estabeleceu-se a Sociedade Teosófica, que afirma que só se pode conhecer a Deus através do misticismo.[10] Os princípios do movimento apresentavam uma forte semelhança com os antigos ensinos do gnosticismo e da filosofia de Simão, o Mago, em particular. G. R. S. Mead, um líder teosofista do começo do século 20, escreveu:
O renascimento atual da pesquisa teosófica lança uma enxurrada de luz nos ensinos de Simão, sempre que podemos encontrar qualquer relato de primeira mão deles, e mostra que eram idênticos em seus fundamentos com a Filosofia Esotérica de todas as grandes religiões do mundo.[11]
Enquanto a teosofia é um movimento formal extinto, suas raízes gnósticas permanecem; e elas continuam a energizar e dar informação às religiões do movimento Nova Era.[12] O sucesso mundial de O Código da Vinci e a publicidade com relação ao “Evangelho de Judas”, um texto gnóstico destacado pela National Geographic, são evidências de que as doutrinas fraudulentas de Simão, o Mago, e de sua laia, que se imaginava extintas há muito tempo, rondam agora os salões da academia religiosa e se manifestam na cultura popular.

Por que a verdade é relevante

Apesar de sua aparente conversão, Simão de Samaria era realmente um herege camuflado com motivos corruptos, mantidos ocultos até seu contato dramático com Pedro em Atos 8.18-24?
Os fatos históricos apóiam fortemente essa conclusão. Vários comentaristas bíblicos, incluindo F. F. Bruce, duvidam da sinceridade da profissão de fé de Simão (v. 13). De fato, alguns importantes sinais no texto bíblico nos ajudam a concluir que a profissão de fé de Simão não foi sincera. Sua “conversão” aconteceu somente depois que ele perdeu sua audiência para Filipe (At 8.11-12). A Bíblia conta que Pedro e João impuseram as mãos para que os cristãos samaritanos recebessem o Espírito Santo (At 8.17). Mas Simão, cujo nome foi referido nos versículos 10-13, não é citado entre os que receberam o Espírito Santo.

O gnosticismo é uma seita herética que desapareceu lentamente, mas a significância de Simão como progenitor da falsa espiritualidade continuou por quase dois milênios, através de representações na arte e na cultura. O artista Avanzino Nucci, no século 17, pintou uma cena representando a disputa de Pedro com Simão.
Mais importante ainda: as ações de Simão evidenciaram os frutos podres de um coração que não se arrependeu. Pedro o acusou de “maldade” e de estar em “fel de amargura e laço de iniqüidade” (At 8.22-23). Além disso, quando Pedro instruiu Simão a arrepender-se e a orar por perdão, ele não o fez. Em vez disso, pediu a Pedro: “Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes sobrevenha a mim” (At 8.24). A fala de Simão não revela arrependimento sincero, simplesmente um desejo de evitar o julgamento.
O texto de Atos 8, unido à reprovação dos pais da igreja primitiva em relação a Simão, o qual consideravam o príncipe da heresia, leva-nos a concluir que o coração dele nunca deixou as tendências pagãs de um mago. Depois de seu contato superficial com o Cristianismo, ele simplesmente adaptou sua filosofia corrupta para enfraquecer a recente formação da Igreja de Jesus Cristo, como um parasita tira o alimento de seu hospedeiro. O gnosticismo, que usa o nome de Cristo, mas exalta a falsa idéia de alcançar a divindade através do conhecimento secreto, atendia sua predileção pelas misteriosas artes secretas e esotéricas.
Esse tipo de falsa profissão de fé não é único no registro bíblico. Em Gênesis, o sacrifício de Caim aparentou obediência; mas ocultou um coração corrupto e idéias próprias de chegar a Deus. Nos Evangelhos do Novo Testamento, Judas andou diariamente com os discípulos de Jesus, e eles aparentemente não tiveram nenhuma suspeita de que ele era um traidor e um impostor espiritual.
A proliferação de rituais religiosos, gurus espirituais e falsas religiões é um desafio constante para a Igreja. A lição de Simão, o Mago, ainda é clara: falsos profetas e ensinadores são um grande perigo quando aparentam seguir práticas familiares e tradições cristãs, enquanto alimentam idéias que são contrárias às Escrituras. Somos avisados: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 Jo 4.1).
Porém, há ainda outra razão para atentar na lição de Simão de Samaria. O Senhor nos adverte a que nos apeguemos à verdade: “A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1.17). Vamos discernir a verdade, praticá-la e nos firmar em Jesus, o Único que veio para nos salvar. (Craig L. Parshall — Israel My Glory — Chamada.com.br)

A ESPOSA DEVE MESMO SUBMETER-SE AO MARIDO?

Pergunta: “A ordem bíblica de que a esposa deve submeter-se ao marido ainda é válida hoje em dia? E quando ele nem é crente?”.
Resposta: Todo o Universo é mantido coeso pelas leis naturais. Sem elas, tudo sucumbiria no caos e a vida seria impossível no planeta Terra. A Bíblia nos diz que Deus é o Criador deste Universo e estabeleceu as leis que o regem e garantem seu funcionamento: “Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; quando firmava as nuvens de cima; quando estabelecia as fontes do abismo; quando fixava ao mar o seu limite, para que as águas não traspassassem seus limites; quando compunha os fundamentos da terra; então, eu estava com ele e era seu arquiteto...” (Pv 8.27-30). “Ou podes tu atar as cadeias do Sete-estrelo ou soltar os laços do Órion? Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco ou guiar a Ursa com seus filhos? Sabes tu as ordenanças dos céus, podes estabelecer sua influência sobre a terra?” (Jó 38.31-33). Essas ordens firmadas e estabelecidas por Deus asseguram que o Universo siga seu curso harmoniosamente.
Com o mesmo propósito, porém em um âmbito mais restrito, Deus deu à humanidade os Seus mandamentos e as Suas ordens. Quando nos norteamos por elas, torna-se possível uma coexistência harmoniosa. Quer seja o relacionamento entre marido e mulher, entre pais e filhos ou entre governos e cidadãos, a aplicação das leis e regras divinas ajudará a proteger e manter a ordem e contribuirá para o bem de todos. E todas essas ordens são uma glorificação dAquele que as criou.
Submissão é sujeitar-se a uma instância superior. Isso nada tem a ver com discriminação. Pelo contrário, representa o mecanismo na dinâmica do relacionamento. É como uma engrenagem que se encaixa perfeitamente na outra, fazendo o todo funcionar. Quando a ordem divina é obedecida, instala-se a harmonia, semelhante ao funcionamento de um relógio de precisão.
Deus espera que obedeçamos aos Seus preceitos. Se o fizermos, seremos abençoados pessoalmente e, juntamente conosco, todos aqueles com quem convivemos. O resultado de ater-se às regras bíblicas é a bênção de Deus e a paz no coração.
Das ordens de Deus também faz parte o princípio da submissão. Vemos, por exemplo, que Jesus se submetia a Seu Pai, pois Ele mesmo disse: “Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz” (Jo 5.19). Assim como o Filho se submetia ao Pai, na igreja local os membros devem submeter-se aos anciãos (segundo a Bíblia, sempre homens). Na família, as mulheres devem submeter-se a seus maridos e os filhos aos pais.
Esses princípios bíblicos foram dados por Deus para nosso próprio bem. Quando os seguimos, o casamento funciona, a família é funcional e a igreja também convive em harmonia. Isso acontece porque os princípios e mandamentos correspondem Àquele que os inventou. É como um computador, que só funciona a contento quando recebe os programas compatíveis. Somente assim ele desempenhará ao máximo todas as funções para as quais foi concebido.
As diretrizes divinas e os Seus mandamentos não têm o alvo de tolher nossa liberdade, mas servem de orientação para nossa vida e propiciam a melhor convivência entre os seres humanos.
A Bíblia diz a respeito: “Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura. Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados. Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão-somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Cl 3.18-23). Na carta aos Efésios, Paulo escreve: “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor, porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja” (Ef 5.21-25,28-29).
O apóstolo Pedro complementa: “Pois foi assim também que a si mesmas se ataviaram, outrora, as santas mulheres que esperavam em Deus, estando submissas a seu próprio marido, como fazia Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós vos tornastes filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma” (1 Pe 3.5-7).
Em todo esse contexto a regra áurea deve ser aplicada sempre: “sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.21). Ou, como disse o Senhor Jesus: “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos” (Mc 9.35). Depois de conhecer, é hora de colocar em prática na nossa vida diária todos esses princípios preciosos. Mais uma vez: os membros da igreja se submetem aos seus anciãos, que por sua vez têm grande responsabilidade diante de Deus. Na família, primeiramente o marido sujeita-se a Cristo. A mulher é instada a sujeitar-se ao marido, e os filhos, por sua vez, obedecem aos pais. Na sociedade, as autoridades são instituídas por Deus (Rm 13) e deveriam governar de forma responsável diante de Deus; o povo deve submeter-se aos líderes e orar por eles.
Quando lemos atentamente as passagens bíblicas citadas percebemos que existem mais exigências voltadas ao comportamento do marido do que ao da mulher! O esposo é instado a amar sua esposa, a sacrificar-se por ela, a respeitá-la e a valorizá-la, não criticando-a nem tratando-a rudemente. O marido deve amar sua esposa da forma que Cristo ama Sua Igreja.
Submissão não significa rebaixamento ou obediência a qualquer custo. Deus não manda que a esposa seja capacho do marido. Submissão bíblica é sujeição voluntária ao parceiro. Mas isso apenas funcionará quando nem um nem outro usar o cônjuge como um meio para alcançar algum fim, ou o relacionamento matrimonial para realizar seus próprios interesses egoístas. No relacionamento entre marido e mulher segundo a Bíblia, nenhum dos dois deve buscar seus próprios alvos egocêntricos ou suas preferências pessoais, antes, cada um deve servir e amar ao outro.
Quando uma esposa experimenta esse amor despreendido de seu marido, procurará fazer-lhe o bem e não terá dificuldades em submeter-se e em deixá-lo assumir a responsabilidade final. Quando a esposa tratá-lo assim, ele terá alegria em desempenhar seu papel, conduzindo sua família e seu casamento da maneira que Deus quer.
E quando um dos cônjuges não é crente? Também nesse caso nós cristãos somos exortados a nos portar segundo os padrões bíblicos. Os maridos crentes devem amar suas esposas não-crentes da forma já descrita: sacrificialmente, com respeito, valorizando-a, não sendo rude, nem magoando-a. As mulheres cristãs também devem comportar-se para com seus maridos não-cristãos como lemos no Novo Testamento: “Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido”. “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor. Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus (Ef 5.24; 1 Pe 3.1-4).
A palavra-chave em todo esse assunto é sempre o amor. Amor que valoriza o próximo, que o honra e demonstra boa vontade, colocando o outro acima de si mesmo. (Samuel Rindlisbacher)

3 de out. de 2016

A ALIANÇA DAVÍDICA

A Aliança Davídica - a Fidelidade Eterna de Deus com Israel

Norbert Lieth
Salmo 89 fala da aliança eterna entre Deus e Davi. Esse é o terceiro salmo mais longo da Bíblia (depois dos Salmos 78 e 119), e é um dos salmos messiânicos porque a aliança de Davi, descrita nesse texto, somente encontra sua validade e seu cumprimento definitivo em Jesus Cristo.
Vamos ler o Salmo 89 inteiro: “Salmo didático de Etã, ezraíta. Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó Senhor; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade. Pois disse eu: a benignidade está fundada para sempre; a tua fidelidade, tu a confirmarás nos céus, dizendo: Fiz aliança com o meu escolhido e jurei a Davi, meu servo: Para sempre estabelecerei a tua posteridade e firmarei o teu trono de geração em geração. Celebram os céus as tuas maravilhas, óSenhor, e, na assembléia dos santos, a tua fidelidade. Pois quem nos céus é comparável aoSenhor? Entre os seres celestiais, quem é semelhante ao Senhor? Deus é sobremodo tremendo na assembléia dos santos e temível sobre todos os que o rodeiam. Ó Senhor, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu és, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ti?! Dominas a fúria do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as amainas. Calcaste a Raabe, como um ferido de morte; com o teu poderoso braço dispersaste os teus inimigos. Teus são os céus, tua, a terra; o mundo e a sua plenitude, tu os fundaste. O Norte e o Sul, tu os criaste; o Tabor e o Hermom exultam em teu nome. O teu braço é armado de poder, forte é a tua mão, e elevada, a tua destra. Justiça e direito são o fundamento do teu trono; graça e verdade te precedem. Bem-aventurado o povo que conhece os vivas de júbilo, que anda, ó Senhor, na luz da tua presença. Em teu nome, de contínuo se alegra e na tua justiça se exalta, porquanto tu és a glória de sua força; no teu favor avulta o nosso poder. Pois ao Senhor pertence o nosso escudo, e ao Santo de Israel, o nosso rei. Outrora, falaste em visão aos teus santos e disseste: A um herói concedi o poder de socorrer; do meio do povo, exaltei um escolhido. Encontrei Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi. A minha mão será firme com ele, o meu braço o fortalecerá. O inimigo jamais o surpreenderá, nem o há de afligir o filho da perversidade. Esmagarei diante dele os seus adversários e ferirei os que o odeiam. A minha fidelidade e a minha bondade o hão de acompanhar, e em meu nome crescerá o seu poder. Porei a sua mão sobre o mar e a sua direita, sobre os rios. Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus e a rocha da minha salvação. Fá-lo-ei, por isso, meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra. Conservar-lhe-ei para sempre a minha graça e, firme com ele, a minha aliança. Farei durar para sempre a sua descendência; e, o seu trono, como os dias do céu. Se os seus filhos desprezarem a minha lei e não andarem nos meus juízos, se violarem os meus preceitos e não guardarem os meus mandamentos, então, punirei com vara as suas transgressões e com açoites, a sua iniquidade. Mas jamais retirarei dele a minha bondade, nem desmentirei a minha fidelidade. Não violarei a minha aliança, nem modificarei o que os meus lábios proferiram. Uma vez jurei por minha santidade (e serei eu falso a Davi?): A sua posteridade durará para sempre, e o seu trono, como o sol perante mim. Ele será estabelecido para sempre como a lua e fiel como a testemunha no espaço. Tu, porém, o repudiaste e o rejeitaste; e te indignaste com o teu ungido. Aborreceste a aliança com o teu servo; profanaste-lhe a coroa, arrojando-a para a terra. Arrasaste os seus muros todos; reduziste a ruínas as suas fortificações. Despojam-no todos os que passam pelo caminho; e os vizinhos o escarnecem. Exaltaste a destra dos seus adversários e deste regozijo a todos os seus inimigos. Também viraste o fio da sua espada e não o sustentaste na batalha. Fizeste cessar o seu esplendor e deitaste por terra o seu trono. Abreviaste os dias da sua mocidade e o cobriste de ignomínia. Até quando, Senhor? Esconder-te-ás para sempre? Arderá a tua ira como fogo? Lembra-te de como é breve a minha existência! Pois criarias em vão todos os filhos dos homens! Que homem há, que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro? Que é feito, Senhor, das tuas benignidades de outrora, juradas a Davi por tua fidelidade? Lembra-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos e de como trago no peito a injúria de muitos povos, com que, Senhor, os teus inimigos têm vilipendiado, sim, vilipendiado os passos do teu ungido. Bendito seja o Senhor para sempre! Amém e amém!”

QUANDO VOLTARÁ O NOIVO?

Quando Voltará o Noivo?


Norbert Lieth
No último livro da Bíblia o Senhor Jesus promete quatro vezes que virá sem demora (Ap 3.11; Ap 22.7,12,20). Quase dois mil anos depois, Ele ainda não voltou. Olhando para a história da Igreja e para a história dos judeus, veremos que tanto judeus como cristãos sempre depositaram suas esperanças em que o Messias viria em breve ou que Ele retornaria.
O sábio judeu Maimônides escreveu na Idade Média: “Creio com toda a convicção na futura vinda do Messias, e mesmo que ele demore, esperarei pela sua vinda a cada dia!”. Com cada nova onda de perseguição que vinha sobre os judeus “espalhados entre as nações”, da Espanha à Rússia, eles contavam firmemente que agora o Messias viria e que essa seria a última perseguição. Ao invés disso, muitas vezes as coisas só foram piorando até culminarem no Holocausto.
Da mesma forma, os cristãos sempre esperaram por seu Senhor. Durante a Inquisição católica, nos anos em que a peste espalhava o pavor, quando guerras terríveis devastavam as nações, quando ditadores oprimiam os povos e quando muitas outras coisas ruins ameaçavam os crentes, eles depositavam suas últimas esperanças na breve volta de seu Senhor. Um hino expressa assim essa expectativa: “Vem Jesus, ó Senhor, vem depressa reinar. Vem a paz e a justiça trazer. Criação, povo teu, tudo almeja o raiar, Desse dia de glória e poder”.
Mas até hoje o Senhor continua ausente. Sei de cristãos que, ao ficarem velhos, quase perderam a esperança pela volta de seu Senhor Jesus Cristo. Durante toda a sua vida contavam firmemente com o Seu retorno e acabaram seus últimos dias em um asilo. Isso os deixou inseguros quanto à sua esperança. Nossos pais e mães em Cristo acreditavam que Jesus voltaria ainda durante suas vidas. Até morrer, eles amaram a vinda do Senhor, pregaram sobre ela e oraram para que seu Senhor viesse logo... E então? Deus os decepcionou? Deus nos frustrou?

Depois de um longo tempo

É interessante: observando com mais atenção as passagens que profetizam a volta de Cristo, percebemos que existem indícios e indicações claras de que Ele voltaria somente depois de um longo tempo. Por exemplo:
  • “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.7-8).
  • “Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles” (Mt 25.19).
  • “A seguir passou Jesus a proferir ao povo esta parábola: Certo homem plantou uma vinha, arrendou-a a lavradores e ausentou-se do país por prazo considerável” (Lc 20.9).
  • “E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram” (Mt 25.5).
O livro de Habacuque é profético e ao mesmo tempo profundo e rico em aconselhamento espiritual. Nele encontramos as respostas a perguntas que as pessoas fazem em todas as épocas: Por que existe o mal no mundo? Por que o mal parece triunfar? Onde está Deus? Por que Ele não interfere nos acontecimentos? Ele escuta o que se pede? Habacuque questionou a Deus fazendo as mesmas perguntas que todos nós temos:
“Sentença revelada ao profeta Habacuque. Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida. (...) Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele?” (Hc 1.1-4,13).
Não é extremamente atual essa acusação do profeta a Deus? Ao nosso redor impera a violência e o mal, a injustiça e a desordem. O mal parece desdobrar-se em milhares de facetas diferentes, dominando de forma brutal e inclemente, as leis parecem sem força para detê-lo... E onde fica Deus? Por que o Senhor ainda não voltou para acabar com tanta maldade?
É maravilhoso ver como Deus nos aconselha espiritualmente no livro de Habacuque. Ele não responde os questionamentos dizendo: “Você não tem vergonha de ficar fazendo esse tipo de pergunta? De ficar fazendo acusações? De achar que tem razão!?”. Não! Ele não faz assim! Deus manda registrar as perguntas de Habacuque nas Sagradas Escrituras para estarem disponíveis a todas as gerações depois dele. Podemos perguntar a Deus. E quando perguntamos, Ele responde!

21 de jun. de 2016

ONDE ESTÁ A ARCA DA ALIANÇA?

Onde está a Arca da Aliança?

Por Matheus Z. Guimarães

Um dos maiores desejos de arqueólogos de várias partes do planeta e de várias épocas da história é descobrir o paradeiro da Arca da Aliança. Ao longo da história moderna, várias foram as notícias sobre a descoberta da localização da Arca, mas nenhuma delas pode comprovar sua veracidade. É interessante notar que o desejo audaz de se encontrar a Arca da Aliança não é tão presente na comunidade judaica mundial. Cristãos, muçulmanos e até mesmo nazistas já desembolsaram milhões de dólares em pesquisas e expedições, mas a comunidade judaica parece encarar o fato do desaparecimento da Arca como sendo resultado da soberania de D-us. Mas qual é o verdadeiro interesse em se encontrar a Arca da Aliança? Será que ela ainda existe, ou está aguardando ser encontrada?

Na Torá (Ex 25:10-22) temos a descrição de uma espécie de baú (Arôn, em hebraico), que deveria conter o “Testemunho”  – edut – literalmente “prova”, ou seja, objetos usados para se comprovar algum fato. Por isso, os objetos determinados por D-us para estarem dentro da Arca serviam como “prova” da Aliança de D-us com o povo de Israel: As tábuas da Aliança – simbolizando a Aliança de D-us com Israel por intermédio da Torá; – Um pote com o Maná do deserto – simbolizando o poder milagroso de D-us e seu sustento para com a nação de Israel;  e o Bordão de Arão – que representava a escolha da tribo de Levi e da Descendência de Arão para o exercício do sacerdócio (Hb 9:4).

Durante os dias de Moisés e de Josué, a Arca era conservada no Tabernáculo e utilizada em serviços de Adoração. Na travessia do deserto, os sacerdotes a levavam à frente do povo e em algumas batalhas. Ela testemunhava para as outras nações e povos inimigos que o D-us criador dos céus e da Terra possuía uma aliança com o povo de Israel.  Nos dias dos juízes ela se encontrava na cidade de Silo (Shilo – 35Km ao norte de Jerusalém), onde o Tabernáculo foi fixado (Js 18:1). Após ter sido roubada pelos filisteus, a Arca segue para a cidade de Beit-Shemesh e em seguida para Quiriat-Iearim (ISm 6 e 7). Lá ela é entregue a Eleazar, filho de Abinadabe. A casa de Abinadabe fica então responsável pela preservação da Arca. Já nos dias de Davi, o Rei decide por trazer a Arca para Jerusalém, deixando-a na casa de Obede-Edom, um levita da casa de Corá (IISm6:1). O Rei Salomão se encarrega de levar a Arca para o interior do Templo durante a Festa dos Tabernáculos, ao local chamado em hebraico de “Kodesh Há Kadashim” ou Santo dos Santos (IICr 5:2-14). A Arca então permanece no Templo até a invasão de Jerusalém por Nabucodonozor, em 586 a.C. Na ocasião da invasão, o Templo de Salomão é destruído, e grande parte dos utensílios tomados como despojo.

A partir daí especula-se sobre o paradeiro da Arca. Sabe-se que a Arca não foi recolocada no Santo dos Santos durante a reconstrução do Templo por Esdras e Neemias. Quando o imperador Antíoco Epífanes, no século II a.C, invade e profana o Templo em Jerusalém, ele nada encontra no Santíssimo lugar.  Grande parte dos estudiosos bíblicos acredita que a Arca da Aliança foi destruída durante a invasão Babilônica. Mas alguns rabinos, baseados em documentos antigos como a Mishná, crêem que os sacerdotes esconderam a arca pouco antes da invasão de Jerusalém, e que a mesma foi mantida escondida mesmo com o Segundo templo reconstruído, visando preservar sua integridade.

A Mishná (Lei Oral agregada e compilada pelo Rabino Yehuda Há Nissi no séc. II d.C), contém os relatos mais confiáveis sobre a localização da Arca. A Mishná, depois acrescida da Gemara, seu comentário, deu origem ao Talmud. O texto a seguir foi retirado da Mishná, tratado Shekalim 6:

“Era costume se prostrar diante da Arca 13 vezes no santuário. Mas a família do rabino Gamaliel e o Rabino Ananias, o sumo sacerdote, se prostravam 14 vezes, sendo a última vez diante da “pilha de madeira” (*1), pois de acordo com a tradição de seus pais, a Arca da Aliança estava escondida ali (*2). Uma vez, um sacerdote que estava orando no local viu que uma pedra do pavimento estava diferente das outras (*3). Ele correu para contar aos outros sacerdotes e antes de terminar sua fala, caiu morto. Então se teve certeza de que a Arca da Aliança estava escondida ali.”
(1) O termo “Pilha de Madeira” se refere ao compartimento onde se guardava madeira para ser usada no altar. Tal compartimento se localizava no Pátio das Mulheres e tinha cerca de 18 m².
(2) Segundo a Mishná, antes de Nabucodonozor destruir o Templo em 586 a.C, a Arca da Aliança foi retirada dali pelos sacerdotes e escondida.
(3) Esta pedra era removível. Ela cobria a entrada de um túnel de 33km que se estendia do Templo até Qumram, nas proximidades do Mar Morto. Este túnel existe até os dias de hoje, mas é inaccessível.

Mas se a comunidade judaica tem conhecimento da localização da Arca, porque não tenta recuperá-la? A resposta é simples: os rabinos dizem que nos temos dos Reis, a Arca se tornou um substituto para D-us. Ao invés de orarem a D-us, os israelitas depositavam sua confiança na Arca, fazendo dela um amuleto. Nestes aspectos, a Arca se tornou um ídolo para os hebreus. D-us é único, e tudo o que se coloca entre Ele e o adorador se torna uma ofensa para o Criador. “Se D-us a tirou de nosso meio, é melhor que continue assim”, dizem os rabinos do Instituto do Templo em Jerusalém, “Ele sabe o que faz”.

Interior da Arca da Aliança contendo as tábuas da Lei, o Maná e o bordão de Arão – Réplica do Tabernáculo em tamanho real em Timna – Deserto do Negév – ISRAEL.
É interessante nos lembrarmos que as profecias sobre a reconstrução do Templo (Ez 40) não listam a presença da Arca da Aliança entre os utensílios. Além disso, o profeta Jeremias, ao profetizar sobre o milênio, afirma que a Arca da Aliança não poderá ser reconstruída: “…nunca mais se exclamará: A Arca da Aliança do Senhor! Ela não lhes virá a mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra.” Jeremias continua exortando os Israelitas quanto à idolatria ao Templo e a Arca: “Não confieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este.” (Jr 7:4).

Em 1992, utilizando-se de sismógrafos e sensores de rádio, os professores Tzvi Ben Avraham e Uri Basson, da Universidade de Tel-Aviv, investigaram o túnel de 33km entre Jerusalém e Qumran. Eles descobriram objetos e compartimentos no decorrer do túnel, mas não puderam confirmar se tais observações representavam a Arca. Uma vez que é impossível adentrar o túnel sem que ele desmorone, a localização da Arca da Aliança continua um mistério.

17 de jun. de 2016

FÉ COMO UM GRÃO DE MOSTARDA

Fé Como Um Grão de Mostarda

Marcel Malgo
"Respondeu-lhe o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá" (Lc 17.6).
"Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível" (Mt 17.20).
Que pensamentos e emoções invadem o nosso coração quando lemos essas afirmações do Senhor Jesus? Estamos de fato firmemente convictos de que isso se cumprirá literalmente com uma ordem nossa, fazendo uma amoreira ou um monte se transplantarem de um lugar a outro? Ou reagimos justamente ao contrário, simplesmente rejeitando essas afirmações e dizendo que isso não é possível?
Infelizmente, são justamente essas afirmações de Jesus que criam em muitos crentes uma sensação de fraqueza interior, pois quase automaticamente vem o pensamento: "isso não é possível!" Pelas leis da natureza, infelizmente, é o que acontece com essas passagens das Escrituras; em princípio, sempre despertam dúvida e incredulidade, levando-nos à humilhante constatação de que não entendemos direito o que a Palavra quer nos dizer.
Por isso empenhemo-nos para entender qual é, afinal, o sentido espiritual mais profundo das palavras de Jesus especialmente em Mateus 17.20.
Em primeiro lugar, quero dizer que em nosso texto: "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível", não se trata de uma grande fé, mas de uma grande façanha, de um ato grandioso! Essa afirmação é totalmente contrária à interpretação tradicional que sempre fala de uma fé tão grande que muda um monte de lugar. Mas repito: aqui prioritariamente não se trata de uma grande fé, mas de uma grande ação pela fé!
Afinal, que fé é esta, que pode ter um efeito tão impressionante como o deslocamento de um monte? Será que é uma fé imensa, sistemática, objetiva, planejada, convincente, que não vê empecilhos, e que de maneira soberana supera tudo o que atravessa o seu caminho? Uma fé que move montanhas evidentemente poderia ter tais características. Mas o Senhor Jesus não fala de uma fé desse tipo. Então, que fé é esta, que tem – como Jesus expressa figuradamente – a condição de transferir montes? A esta fé capaz de fazer grandes façanhas, o Senhor Jesus chama de:

Fé como um grão de mostarda

Grãos de mostarda
"Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível". O que é um grão de mostarda? Em Marcos 4.31, ele é chamado de "...a menor de todas as sementes sobre a terra". De fato ele tem um diâmetro de apenas 0,95 -1,1 mm. Esse pequeno grão de semente, que tem de ser observado com uma lente se quisermos vê-lo nitidamente, é considerado pelo Senhor como exemplo para uma fé que é capaz de mover montanhas.
Por que Jesus considera justamente esse pequeno grão de mostarda como exemplo para uma fé pela qual podem acontecer grandes coisas? Pelo fato desse pequeno grão de semente ser capaz de ilustrar o que significa transportar montes. Esse grão de semente extremamente pequeno, que quase não pode ser visto a olho nu, no espaço de um ano se transforma num grande arbusto, numa pequena árvore com galhos de cerca de 2,5 a 3 metros. Portanto, como são diminutos os pré-requisitos para um resultado tão grande num minúsculo grão de semente, onde aparentemente nada existia. No entanto, justamente estas condições mínimas são um exemplo que o Senhor usa para ilustrar uma fé que é suficiente para remover montanhas! Essa "fé como um grão de mostarda" não aponta de maneira clara para a nossa fé, que muitas vezes é tão fraca e pequena? Com isso, de maneira alguma quero desculpar nossa repetida incredulidade dizendo simplesmente: afinal, só tenho uma fé bem pequena, como um grão de mostarda! Quero lembrar que muitos de nós, repetidas vezes, já tivemos a impressão de que nossa fé era assim tão pequena e insignificante, e isso pode provocar dificuldades consideráveis. Assim mesmo, essa é justamente a pequena fé, quase imperceptível, que, segundo as palavras de Jesus, tem o poder de transpor montes.

É necessário mudar o raciocínio!

Oração de fé
Será que, às vezes, não imaginamos algo errado quando pensamos na fé que precisamos ter para viver como cristãos verdadeiros? Todos nós nos defrontamos diariamente com situações, perguntas e problemas que se avolumam como montes. Não é justamente nesses momentos que aspiramos de todo o coração ter mais fé, ter uma fé maior, a fim de vencermos tudo isso? É justamente aí que muitos precisam aprender a mudar o raciocínio, pois Jesus diz: "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá!" Em outras palavras: nossa fé não necessita ser particularmente grande para transferir montes – simplesmente é suficiente "termos fé".
Se o grão de mostarda tivesse a possibilidade de olhar para si mesmo e conseguisse se enxergar, teria tudo para desanimar, pois em si mesmo não teria nada a apresentar. E assim é também, muitas vezes, em nossa vida: olhamos para nós e vemos uma fé relativamente pequena, limitada, e então ficamos desanimados. Mas o grão de mostarda não faz isso. Ele não olha para si mesmo para então desanimar. Não, ele simplesmente se deixa plantar na terra, ali começa a crescer, e finalmente se torna aquilo que deve ser, ou seja, uma árvore em cujos ramos "aninharam-se as aves do céu" (Lc 13.19).
Ao mesmo tempo é de se considerar que o grão de mostarda não se torna uma árvore porque empreendeu grandes esforços, mas simplesmente porque torna ativo e aplica o que possui! Oh!, como seria bom se compreendêssemos hoje que, com todas as nossas fraquezas, dificuldades e tentações diárias, simplesmente podemos nos aquietar com fé infantil na mão de nosso Salvador! Que modificação isso provocaria em nossa vida espiritual!
Simplesmente creio que, muitas vezes, caímos no erro de ter conceitos errados acerca da fé. Na verdade, é a fé singela na obra consumada de Jesus Cristo que consegue nos levar adiante e que, a cada dia, nos conduz para uma comunhão mais profunda com o Cordeiro de Deus, e não o esforço da nossa alma em crer bastante.
Em nossa vida como cristãos não precisamos nos estender buscando novas formas e grandezas de fé, mas simplesmente ter e usar a fé pela qual fomos salvos, ou seja, a fé simples no Senhor Jesus Cristo. Nesse contexto, leia novamente o que Davi diz no Salmo 18.29: "Pois contigo desbarato exércitos, com o meu Deus salto muralhas". Ou veja também o que ele diz nos Salmos 60.12 e 108.13: "Em Deus faremos proezas, porque ele mesmo calca aos pés os nossos adversários". Essas afirmações testificam de uma fé poderosa e vencedora que Davi tinha? Eu penso que não, pois Davi era um homem com fraquezas e erros como nós. Ainda assim, esses versículos testemunham que Davi se agarrava com toda a simplicidade ao seu Deus e por meio dEle podia fazer grandes proezas.
Ou lembremos de 1 João 5.4: "Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé". Que fé é essa que vence o mundo? É uma fé poderosa, forte, que supera tudo? De modo algum! A fé que vence o mundo é a fé singela, que muitas vezes não se sente; é a fé sacudida e posta à prova, mas assim mesmo firmada no sangue reconciliador e salvador de Jesus Cristo! Isso é tudo! Essa fé não se apóia no que sentimos ou percebemos, mas naquilo que sabemos, ou seja, que Jesus venceu o mundo (Jo 16.33b), e que de fato somos filhos de Deus. Essa é a fé que remove montanhas!
Como seria bom se compreendêssemos hoje o que significa de maneira bem prática nos contentarmos com a fé simples como um grão de mostarda. Então muitos de nós mudariam totalmente sua vida espiritual teimosa e pouco inteligente! Que de uma vez por todas reconhecêssemos que o caminho da fé é simples; que não se trata de fazer grandes esforços espirituais, mas simplesmente de confiar naquilo que nos é oferecido em Cristo!

Grandes resultados da fé como um grão de mostarda

Monte
Em Isaías 42.3 está escrito: "Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega". Essa é uma profecia messiânica que é confirmada no Novo Testamento (Mt.12.20) de maneira direta em relação a Jesus Cristo, e por isso já se tornou grande fortalecimento para muitos filhos de Deus. Essas palavras também são uma figura de uma pessoa que possui fé como um grão de mostarda. Pois a cana quebrada ainda não foi esmagada, está apenas quase partida, e uma torcida que fumega ainda não está totalmente apagada. Nesse sentido essas palavras apontam para a fé mais pequena possível que uma pessoa pode possuir, fé como a de um grão de mostarda.
O que vimos no caso do grão de mostarda? Que ele não tem quase nada a oferecer, mas oferece tudo o que tem, e por meio disso experimenta grandes resultados!
Meu irmão, minha irmã, você compreende o que o Senhor quer lhe dizer com isso? Talvez você leia esta mensagem com o estado interior de uma "cana quebrada" ou de uma "torcida que fumega". Você se sente interiormente fraco e miserável, e em seu interior só resta uma fé ínfima, do tamanho de um grão de mostarda? Você se sente assim porque diante de sua alma se amontoam grandes montanhas de angústias, preocupações e problemas. Mas agora escute bem: o fato de você se sentir como uma "cana quebrada" ou uma "torcida que fumega" prova que em você ainda existe algo. Pois uma cana quebrada ainda não está amassada, e uma torcida que fumega ainda não está apagada. Apesar de todos os montes de dificuldades que talvez neste momento existam à sua frente, você ainda tem uma centelha de fé. E é justamente isso que você tem que ativar agora, pois Jesus diz: "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível". Todos estes montes, problemas e dificuldades podem ser "lançados no mar" se você ativar e aplicar sua pequena fé, embora ela seja como um grão de mostarda. Em outras palavras, isso acontece se você simplesmente vier agora a Jesus como você é. Ele não "esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega". Pelo contrário, no Salmo 34.18 está escrito: "Perto está o Senhor dos que têm coração quebrantado e salva os de espírito oprimido". Uma coisa, porém, você precisa fazer: você – "a cana quebrada" e "a torcida que fumega " – tem que buscar a Jesus como você é. Assim você torna ativa a sua fé como um grão de mostarda. E por meio disso você terá condições de "lançar no mar" todos os montes, preocupações e problemas. Incentivo você a vir ainda hoje, agora, a Jesus com o pouco que você tem – com sua fé como um grão de mostarda. Assim o Senhor poderá lhe encontrar de maneira totalmente nova, e fazer transbordar sua vida como talvez nunca aconteceu antes!
Nesse contexto, façamo-nos a pergunta:

Como aconteceu a alimentação dos cinco mil?

Pão
Para poder alimentar os milhares de ouvintes, os discípulos já haviam projetado um plano "muito bom": "Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e já vai adiantada a hora; despede, pois, as multidões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer" (Mt 14.15). O Senhor, porém, não havia esperado por uma proposta dessas, mas por outra bem diferente. Ele não necessitava dos estoques de gêneros alimentícios dos arredores para poder alimentar as milhares de pessoas. Ele procurou por alguém que tivesse fé como um grão de mostarda. Ele necessitava de uma pessoa que possuísse pouco, mas que estivesse disposta a dar ao Senhor o pouco que possuía. Por meio disso, Ele seria capaz de realizar uma grande obra.
E de fato estava presente "um rapaz" que, como está escrito em João 6.9, tinha "cinco pães de cevada e dois peixinhos", e que estava disposto a Lhe entregar esse pouco! E o que fez o Senhor com isso? "Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre eles; e também igualmente os peixes, quanto queriam" (v. 11). Dessa maneira o Senhor Jesus Cristo alimentou cinco mil homens além das suas mulheres e crianças com cinco pães de cevada e dois peixinhos. Entendamos corretamente: Ele somente realizou esse milagre porque estava presente alguém – justamente esse rapaz – que demonstrou a fé como um grão de mostarda, entregando ao Senhor o pouco que possuía. Que montanhas de problemas e receios foram afastados dos discípulos e ao mesmo tempo lançados no mar! Eles viam montes enormes diante de si, pois como seria possível alimentar um número tão grande de pessoas? Eles também já haviam se preocupado em como poderiam afastar estes "montes". Mas Jesus não necessitava de nada disso. Ele apenas procurou a fé como um grão de mostarda que acabou encontrando nesse rapaz. Dessa maneira todos os montes de dificuldades e impossibilidades "foram lançados no mar".
Meu irmão e minha irmã, seja, ainda hoje, como esse rapaz: consagre ao Senhor o pouco que tem. Traga ao Senhor a sua fé como um grão de mostarda, e Ele virá ao seu encontro de maneira totalmente nova. Entregando o pouco de fé que você possui, Ele terá condições de "lançar no mar" as montanhas de sua vida, suas dificuldades e preocupações! Portanto, não é o tamanho de nossa fé que faz a diferença, mas a fé como um grão de mostarda num grande Deus! (Marcel Malgo – http://www.chamada.com.br)